terça-feira, 23 de junho de 2015

O Amor e os Românticos

                                        O que era o Amor, no Período do Romantismo?



O amor, para os poetas românticos, era como uma moeda dourada, valiosa, que apresentava duas faces: a face boa, apresentava uma imagem de mulher idealizada, tão imaginada pelos poetas deste período. Este sentimento, de paixão e fugacidade, acabava por fazer brotar na alma, as mais delicadas sensações de sacrifício e ilusão, causadas pela busca de um sentimento perfeito, exuberante e sagrado, tudo isso para abafar as desilusões, doenças e judiações da vida real, que tanto sufocavam os poetas românticos. A face má desta delicada moeda, trazia aos corações dos poetas, o esquecimento, a rejeição e principalmente a dúvida, causada pela inconformidade em perder a mulher amada, saber que a imagem, tão idealizada do ser que amam, nunca poderá ser tocada, ou em não poder tê-la perto de si, para aliviar suas angústias e concretizar seus desejos.  

Tais desaventuras, acabavam por fazer os poetas deste período, buscarem refúgio nas poesias, nas bebedeiras que cercavam as tabernas da época, ou, mais radicalmente, na morte, através do suicídio. Em" Os Sofrimentos do Jovem Werther", obra de Goethe que marcou o Romantismo na Alemanha, presenciamos todas as sensações e infelicidades do protagonista, Werther, rapaz que vê sua vida tornar-se uma chaga completa ao conhecer Carlota, menina que tanto é exaltada e desejada por ele ao longo do livro, mas que não o amava, por estar noiva de outro homem. Diante do amor não correspondido, os sofrimentos de Werther atingem o seu ápice, até o rapaz não mais aguentar e recorrer ao suicídio. No Romantismo, amor e morte andavam de mãos dadas, e quanto maior fosse o sofrimento, mais bela seria a poesia.

Não obstante, se para os poetas da Geração Byroniana e Indianista, a mulher era um ser intocável, uma musa sagrada, para os poetas da Geração Condoreira, ela vinha de forma carnal, realista, erótica e acessível. Para os escritores da terceira geração, o amor não era algo tão impossível e distante. Claro que não deixava de ter seu lado sombrio, porém, ele poderia ser vivenciado e de forma mais próxima da realidade. 


Se por um lado, ao lermos as obras dos autores deste período, muitas vezes, cheguemos a nos identificar, relacionando o sofrimento deles ao nosso próprio, ou a nos deixar sermos levados e tocados pela beleza e tristeza de sua lira, das obras dos românticos, podemos absorver as mais importantes lições a respeito do amor: as suas desavenças, idas e vindas, desafios e prazeres, que, dependendo da força psicológica da pessoa que o vivencia, pode acabar de forma plena ou trágica. Tais situações, acabam por ajudar a levar os leitores a uma melhor reflexão a respeito da vida e seus valores, pois até mesmo o suicídio, muitas vezes é vão, não sendo a morte amiga de ninguém. Bem como dizia Lord Byron: "Basta! Sabemos nós que o pranto é vão,/Que a morte, à nossa dor, não dá atenção./Isso fará esquecer-nos de prantear?/ Ou que choremos menos fará então?"

"Eis o estertor de morte,/Eis o martírio eterno./Eis o ranger dos dentes,/Eis o penar do inferno." (Junqueira Freire)


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