"Essa ação de meus sentidos sobre meu coração constitui o único tormento da minha vida. Nos dias em que não vejo ninguém, não penso em meu destino, não o sinto, não sofro, sou feliz e contente, sem distração e sem obstáculo. Mas raras vezes escapo a algum golpe sensível e, quando menos espero, um gesto, um olhar sinistro percebido, uma palavra envenenada entreouvida, um mal-intencionado encontrado bastam para me transtornar. A única coisa que posso fazer em semelhante caso é esquecer bem rápido e fugir. O tormento de meu coração desaparece junto com o objeto que o causou, e volto para a calma assim que me encontro sozinho. Ou, se algo me inquieta, é o temor de encontrar em meu caminho algum novo motivo de dor."
(Jean-Jacques Rousseau - Os devaneios do caminhante solitário)

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