Escrito pela fodástica Mary Shelley, quando a mesma tinha apenas 18 anos de idade, o personagem foi fruto de um concurso de histórias de terror na casa do poeta Lord Byron.
Apesar do nome "Frankenstein" ser popularmente atribuído ao monstro da história, o mesmo pertence a Victor Frankenstein, o estudante de medicina, que desejoso de vencer as barreiras entre a vida e a morte, em um verdadeiro desafio à Deus, cria uma criatura horrenda a partir de restos de pessoas mortas. Mais tarde, Victor viria a abandonar o seu "filho", devido à aparência da criatura e gerar dentro do mesmo um verdadeiro monstro, ao largá-lo em um mundo onde sentiria as consequências da solidão.
O "demônio", o "monstro", "a criatura"... dentre outras denominações que o ser criado por Victor recebe ao longo do livro, recebe uma intertextualidade para com os personagens Lúcifer e Adão, do poema "Paraíso Perdido", escrito pelo inglês John Milton, no século XVII. Shelley compara a criatura tanto a Lúcifer (o anjo caído, abandonado, solitário, cheio de sentimentos de revolta para com seu Criador, após ser expulso do céu), quanto a Adão (o filho abandonado, abraçado pela desgraça). Tais comparações são evidentes nos seguintes trechos do livro:
"Ás vezes, permitia que meus pensamentos, desligados da razão, divagassem pelos campos do Paraíso, e ousava imaginar criaturas agradáveis e encantadoras partilhando dos meus sentimentos e reconfortando a minha tristeza. [...] Nenhuma Eva aliviaria minhas tristezas nem partilharia os meus pensamentos. Eu estava só. Eu me lembrava da súplica de Adão ao seu Criador. Mas, onde estava o meu? Ele me abandonara e, no meu coração amargurado, eu o amaldiçoava."
"Mas é sempre assim; o anjo decaído transforma-se num demônio. No entanto, até o inimigo de Deus e do homem tem companheiros na sua solidão; eu estou só."
Mais que uma história de terror/ficção que marcou a literatura e inspirou o cinema, "Frankenstein" pode ser tido como uma crítica à ambição desenfreada do ser humano e ao costume que o mesmo possui de julgar o indivíduo por sua aparência.
