No Brasil, o Romantismo foi dividido em três gerações. Também conhecida como Byroniana (pela grande influência vinda do poeta inglês Lord Byron) ou Ultrarromântica (pelo forte transbordar dos sentimentos mais íntimos do "eu" lírico), a segunda fase, assim como no continente europeu, destacou-se através do comportamento, da filosofia, da pintura, da literatura, dentre outras áreas, pela atenção direcionada ao lado sombrio da vida, evitado por uma sociedade a basear sua visão de mundo na evolução do racionalismo, por meio da ciência e das teorias positivistas. Em terras tupiniquins, sobressaiu-se no campo poético o brilhante Álvares de Azevedo. Mesmo tendo morrido muito jovem, Álvares nos deixou uma vasta obra, repleta de sonhos, medos, amor transcendente e musas idealizadas, servindo, assim, de símbolo nacional arquetípico de um "filho de Byron": uma vida curta, trágica, mas que parece vencer a morte, por perceber a mesma como uma guia rumo à verdadeira felicidade da alma. A Segunda Geração, em especial, será tratada neste post, por intermédio de exemplificações de sua presença na cultura contemporânea.
Assim como os jovens ultrarromânticos canalizavam suas emoções na literatura, atualmente, muitos artistas deixam-se conduzir pela musicalidade, que exerce influência na mentalidade de milhares de adolescentes e adultos, como também vai de encontro aos seus anseios e inquietações, nem sempre compreendidos por uma humanidade tão cega pelo materialismo.
10º - "The Art Of Suicide", de Emilie Autumn
"Porque incomodar do incômodo
Apenas por um poema
Ou outra canção triste a cantar
Por que viver uma vida?
Porque viver uma vida?"
Emilie, com todo o seu estilo clássico e teatral, recorda perfeitamente a poesia dramática e sarcástica de Álvares de Azevedo, em relação ao contexto fatalista de sua arte. Para o romântico, o suicídio era uma forma de cessar o sofrimento causado pelo amor e pela desilusão para com o mundo. Uma vez tomado pelos braços da Morte, o final do ser humano não era de um todo trágico. A canção de Autumn, por sua vez, expressa de modo irônico, tal desespero residente em uma mentalidade suicida.
9º - "Romeo's Distress", de Christian Death
Mão com um beijo, depois da escuridão
Beije minha mão
Beije minha mão
Beije minha mão."
A composição da banda americana Christian Death, traduz elegantemente o cenário de obras como "Noite na Taverna", ao trazer à mente do ouvinte, imagens obscuras e apaixonadas. O próprio nome da música já faz alusão ao personagem Romeu, do inglês William Shakespeare, cujas peças teatrais de caráter trágico, serviram de inspiração para os artistas românticos.
8º - "Marian", de The Sisters of Mercy
Você pode me ouvir te chamando
Salve-me, salve-me, salve-me da sepultura...
Marian"
"Marian" surge como uma representação da mulher amada e perfeita, almejada pelo "eu" lírico, capaz de salvá-lo do mundo da desesperança, ao acolher o seu amor. Tamanha era a sacralização da mulher romântica, que podia ser comparada à figuras angelicais e à Virgem Maria.
7º - "Jasmine and Rose", de Clan Of Xymox
"Ópio e veneno, jasmim e rosa
Sonhos de ambrósia, todo o brilho dos sabores
Isto é sensual, isto é sensual, sensual, sensual."
A Sociedade Epicureia, liderada por Aureliano Lessa, Bernardo Guimarães e Álvares de Azevedo, é lembrada pelas lendas que a cercavam, lendas essas, relacionadas à vida noturna por entre os cemitérios, boemia e orgias. Por sua vez, Lord Byron, a principal inspiração dos jovens estudantes participantes da Sociedade, teve uma vida marcada por polêmicas relacionadas ao incesto e outros costumes excêntricos. A letra de "Jasmine And Rose" evoca de forma perfeita o espírito de luxúria e fugacidade, imaginado e vivido por parte da juventude do século XIX, através das bebedeiras nas tavernas, do uso de drogas e do amor abstrato vivido com a dama perfeita, muitas vezes ilusório, mal sucedido ou interrompido pela morte.
6º - "Even In Death", de Evanescence
As coisas gentis que você me disse
Mesmo na morte nosso amor continua."
Não poderia faltar uma melodia da banda Evanescence, com suas letras depressivas e conturbadas. O amor transcendental, que superava as barreiras carnais e desprendia-se do sofrimento causado pelas mesmas, era uma das principais características do Romantismo. A Morte não poderia separar os amantes, visto que, através dela, eles estariam destinados a viverem juntos, na paz e na pureza do plano espiritual.
5º - "Death Is Waiting for Your Heart", de Svenia
"Doce donzela nessa noite sem estrelas
Morte está esperando pelo seu coração
Você pode receber o paraíso de um sonho
Que você não merece mais."
Os estudos científicos e medicinais evoluíram durante o século XIX, porém, doenças como a tuberculose ainda causavam a morte precoce de grande parte da população, principalmente a mais pobre, diante de sua vulnerabilidade e exposição às péssimas condições de vida. Como a imagem da garota inocente, delicada e indefesa permeava a imaginação do romântico, em muitas prosas, poesias e pinturas, o falecimento da menina jovem e amada era retratado de forma delicada e terna. A morte parecia espreitar até mesmo os que mal conheceram a vida.
4º - "Rose of Flesh and Blood", de Plastique Noir
"Por que tanto álcool?
Velocidade, pílulas para dormir, eu me pergunto
Eu poderia tornar mais fácil o seu espaço
Mas eu estou com medo
Devo confessar."
A bela composição do Plastique Noir expressa a desilusão amorosa e a distância da figura feminina à qual o poeta era devoto. Perante os desencantos causados pelos sentimentos, o poeta afogava suas emanações trágicas em bebidas, remédios, ou até mesmo no luto eterno.
3º - "Bresso", de Lacrimosa
Ainda sinto seus lábios a me tocar
Ainda brilha a sua luz em mim
Ainda
Ainda
Ainda."
Implorar pela piedade da Morte diante do ser adorado, ou até mesmo por uma segunda chance da alma querida, configura-se como nascente das sensações de solidão e abandono eterno. Dessa forma, o que resta ao "eu" lírico, além de recorrer às palavras certamente desesperançosas para fazer jorrar toda a sua frustração e possibilidade de resistência?
2º - "Helena", de My Chemical Romance
Quando toda estrela cai
Trazendo-lhe às lágrimas novamente
Nós somos os muito magoados que você vendeu."
Tanto a letra quanto o vídeo de "Helena", são verdadeiras representações do cenário Byroniano. A ambientação lúgubre, a jovem dama no caixão, o descontentamento do "eu" e a comoção dos que assistem à partida perpétua da jovem e pura criatura.
1º - "My Lost Lenore", de Tristania
Tão serena cria-se minha escuridão
Suplicando ventos de inverno
Ainda que eu parta, eu abraço a ti."
É com muito prazer que reservo a primeira colocação para esta bela homenagem da banda Tristania à personagem sombria e moribunda de Edgar Allan Poe, Lenore. Poe, com seu célebre poema "O Corvo" e vastas prosas repletas de cenários nebulosos e acontecimentos misteriosos, recheados de incógnitas, foi um dos principais e mais influentes nomes do Romantismo. Lenore, uma das personagens de "O Corvo", é a perfeita representação da garota morta na juventude. A letra da música é densa, poética e melancólica, além de expressar toda a inconformação e agonia do homem apaixonado, em busca da presença revivificada de sua amante.


