"Ah! Se me ouvisses falando!
(E eu sei que às dores resistes)
Dir-te-ia coisas tão tristes
Que acabarias chorando."
(Canto Íntimo)
Comumente chamado de "poeta raquítico" pela sociedade de sua época, a aparência excêntrica, presente no poeta Augusto dos Anjos, não conseguiu prejudicar, muito menos deixar transparecer seu evidente talento poético. Ele mesmo descrevia-se como uma "sombra, vinda de outras eras, do cosmopolitismo das moneras", tudo isso para expressar os seus sentimentos dilacerados e dons desprezados por um mundo baseado em aparências.
Porém o caso de Augusto dos Anjos não é uma pedra rara na história da humanidade. Atualmente, em pleno século XXI, os "poderosos" contemporâneos ainda sentem-se prazerosos em estabelecer modelos físicos e comportamentais, à espera de que as massas mais excluídas e descartadas pela elite, venham a escravizarem-se cada vez mais em uma ideia de beleza utópica e totalmente contraditória para com sua realidade.
Infelizmente, os que mais acabam sofrendo com as desilusões de uma mídia idealista são os jovens da sociedade atual. São inúmeros os casos de talentos desperdiçados e passados despercebidos, muitas vezes pelo ser portador de tais dons, não possuir o corpo e o psicológico perfeito, capaz de "sugar"para si as atenções do público. Modelos inexistentes com falsas ideias de sabedoria são louvados pelas aparências, enquanto que uma multidão de grandes mestres incompreendidos é profundamente deixada de lado, principalmente pelas instituições escolares, onde a palavra "inteligência" é presa em um conjunto de mentes alienadas, pelas quais é cruelmente molestada. Um mero fingidor com as melhores "máscaras da vida" é visto como "gênio", enquanto que o verdadeiro entendedor é esquecido nos cantos, muitas vezes tendo que aturar denominações chulas como "louco" e "lerdo", acabando por ser condenado a uma injusta exclusão social.
Esses e outros elementos dão origem à doença de nossa época: a depressão, que tem como suas cônjuges favoritas o complexo de inferioridade e a baixa auto estima, que prendem o indivíduo em uma espécie de teia de aranha sem escapatória, onde o predador aracnídeo é o conceito de "educação" da maioria. Nestas e outras verdadeiras "câmaras de gás" das capacidades humanas, os gênios cometem suicídio, sendo esta última palavra posta em seus mais possíveis sentidos.


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