Viver este abstrato é um derradeiro fardo! Estou cansada de cobiçar o alheio, enquanto permaneço entregue ao abandono de minhas emoções. Afaste os corvos que pousam em meus galhos. As feridas de meu vazio lhe satisfazem? Aos poucos, o escasso brilho dos meus olhos fugirá para sempre, e eu não estarei mais aqui para você me encontrar. Mas você (gosta de castanho escuro?) não gostaria de me encontrar... sou apenas uma das muitas garotinhas que partiram o próprio coração para entregar-lhe, vivendo no escuro para o seu agrado, a devanear com beijos que nunca serão meus, pois eu sei o quanto não lhe pertenço, sei que não sou o suficiente.
Então me deixe ir. Mas não, eu não quero, porque remoer meus sentimentos malogrados e a ausência de sua reciprocidade é o que adoça a minha existência, é o perfume que sela minha podridão interna. Sabes que foste o único amado por mim, finjo ter um coração tão tenso quanto o seu, mas sabes que ele é fraco, pois ainda nina os pesadelos engendrados por ti. Continue oculto, não me olhe, não me beije, maltrate-me! Pois eu não sou perfeita.

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